A música é a mágica fronteira que nos une. É o território infinito
de sons e silêncios. Às vezes é o deserto, às vezes um frenético
rio que palpita veloz por entre as margens das nossas mãos. Este
disco é uma gosta de espuma que me ficou esquecida nos dedos. Ele
só foi possível porque tu o fizeste. Contigo cantei, cresci e aprendi.
Trago na memória o perfume distante dos concertos que levei pelo
país e onde deixei sempre um pouco de mim. Contigo descobri o pulsar
do meu coração, a luz das palavras, o mistério dos sons e dos olhares
que tantas vezes cantamos e onde tudo fica por dizer. Ardendo no
desejo e sorrindo de cumplicidade, a custo nos fornos despedindo.
Hoje conheço-te, como se pode conhecer alguém que chora as mesmas
lágrimas que nós. Se te sentires presente em algum compasso, acorde
ou palavras que aqui te trago, é porque és tu de quem falo em tais
momentos. Agarra as rédeas deste cavalo que cavalga selvagem e se
bate livre dentro de mim. Procura-me por entre as vagas melodias
das canções, ou nos concertos em que o palco é o céu e o chão maré.
As vossas vozes são ondas e revoltas que dirigem o oceano, os meus
acordes os barcos que nele derivam. Vocês são os anjos que habitam
anónimos os versos que escrevo. Agradecer é pouco. Que a música
esteja sempre convosco.
Pedro Abrunhosa |